Um novo estudo publicado na revista Neurology (American Academy of Neurology, 24 de setembro de 2025) mostrou que bebês prematuros nascidos antes de 32 semanas que receberam mais tempo de contato pele a pele durante a internação apresentaram melhor desenvolvimento cerebral em áreas relacionadas à emoção e ao controle do estresse, quando comparados àqueles que tiveram menos contato desse tipo.
Embora a pesquisa não comprove uma relação direta de causa e efeito, ela reforça algo que a ciência vem observando há anos: o toque, o afeto e o vínculo entre cuidador e bebê têm impacto profundo sobre o cérebro em formação.
💗 O poder do toque humano
O contato pele a pele, também chamado de cuidado canguru, consiste em manter o bebê em contato direto com o corpo dos pais, geralmente no peito, promovendo calor, acolhimento e estabilidade fisiológica.
Estudos anteriores já haviam associado essa prática a melhoras no sono, na respiração, no ritmo cardíaco, no crescimento e até menor dor e estresse nos bebês.
Segundo a autora do estudo, Dra. Katherine E. Travis, do Burke Neurological Institute em Nova York, o toque humano nas primeiras semanas de vida pode influenciar positivamente a formação das conexões cerebrais, especialmente nas regiões ligadas ao equilíbrio emocional e à regulação do estresse.
🧠 O estudo
A pesquisa acompanhou 88 bebês prematuros, com média de 29 semanas de gestação e peso médio de 1,2 kg. Eles permaneceram internados por cerca de dois meses. Durante esse período, os pesquisadores observaram a frequência e a duração dos momentos de contato pele a pele com familiares.
Em média, cada sessão durava 70 minutos, sendo a maioria conduzida pelas mães. Ao longo de toda a internação, os bebês receberam cerca de 24 minutos diários de cuidado canguru.
Os resultados mostraram que quanto maior o tempo de contato pele a pele, mais forte era o desenvolvimento das áreas cerebrais ligadas ao controle emocional e à resposta ao estresse.
🔄 Cuidado neurológico precoce
Embora o estudo não trate diretamente da epilepsia, ele destaca algo fundamental para todos os contextos que envolvem o cérebro: as experiências precoces moldam o desenvolvimento neurológico.
Ambientes afetivos, toques gentis e interações positivas com cuidadores ajudam a regular os circuitos cerebrais – os mesmos circuitos que, quando alterados, podem estar envolvidos em transtornos neurológicos, incluindo epilepsias de início infantil.
O contato pele a pele, portanto, não é apenas um gesto de amor. É também um estímulo neurológico protetor, que contribui para um cérebro mais equilibrado e resiliente desde os primeiros dias de vida.
💜 No cuidado com a saúde neurológica, o toque, o afeto e a presença continuam sendo grandes aliados.
📚 Fonte: Neurology – American Academy of Neurology (24 de setembro de 2025)








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