Explicando a Cirurgia Ressectiva de Epilepsia

A cirurgia ressectiva é um tipo de tratamento para epilepsia em que o médico remove a parte do cérebro onde as crises começam. Essa região é chamada de foco epiléptico.

Apesar de parecer assustador à primeira vista, esse procedimento é seguro, estudado há décadas e recomendado pelas diretrizes internacionais quando os medicamentos não conseguem controlar as crises.

Para quem a cirurgia é indicada?

A cirurgia não é para todos os pacientes com epilepsia. Ela é indicada principalmente quando:

  • A pessoa tem epilepsia resistente a medicamentos (quando pelo menos dois remédios, usados da forma correta, não controlam as crises).
  • As crises têm uma origem clara em um ponto do cérebro (confirmada por exames).
  • Os exames mostram que remover aquela área é seguro e não irá prejudicar funções importantes (fala, memória, visão, movimentos, etc.).

Ou seja: antes de qualquer decisão, o paciente passa por uma avaliação completa.

Como é feita a avaliação para a cirurgia?

Os centros especializados fazem uma investigação profunda, que inclui:

  • Ressonância magnética de alta resolução
  • Vídeo-Eletroencefalograma (vídeo-EEG) por vários dias
  • Testes neuropsicológicos (memória, linguagem, atenção)
  • Mapeamento funcional para saber onde estão áreas importantes
  • Em alguns casos, exames mais avançados:
    • PET-Scan
    • SPECT
    • Eletrodos intracranianos (estéreo-EEG)

Essa investigação serve para garantir que:

  1. A origem das crises está bem localizada.
  2. É possível remover essa área com segurança.

Como funciona a cirurgia?

A cirurgia ressectiva é realizada por um neurocirurgião especializado. Ela ocorre sob anestesia geral.

O médico abre uma pequena parte do crânio, chega até a área responsável pelas crises e faz a remoção precisa daquela região. Depois, a abertura é fechada novamente.

É uma cirurgia delicada, feita com tecnologia avançada:

  • • Imagem 3D
  • • Neuronavegação (uma espécie de GPS do cérebro)
  • • Equipamentos de monitoramento em tempo real

Quais são os benefícios da cirurgia?

Para quem é candidato ideal, a cirurgia pode:

✔ Eliminar totalmente as crises

Em muitos casos, o paciente fica livre de crises ou tem uma redução muito grande delas.

✔ Melhorar a qualidade de vida

Menos crises significa mais independência, segurança e liberdade.

✔ Melhor desempenho escolar e cognitivo em crianças

Crianças com epilepsia de difícil controle podem sofrer prejuízos no aprendizado. A cirurgia pode proteger o desenvolvimento.

✔ Reduzir risco de SUDEP

Crises mal controladas aumentam o risco de morte súbita relacionada à epilepsia. Reduzir crises significa reduzir riscos.

Quais são os riscos?

Toda cirurgia tem riscos, mas quando realizada por profissionais especializados, a taxa de complicações é baixa.

Os principais riscos incluem:

  • • Infecção
  • • Sangramento
  • • Déficits neurológicos (depende da área operada, mas isso é avaliado antes)

Para minimizar riscos, faz-se o mapeamento para garantir que áreas importantes do cérebro não sejam afetadas..

Cirurgia é a última opção?

Em epilepsia resistente, não.

As diretrizes internacionais recomendam que toda pessoa com epilepsia que não responde a dois medicamentos seja avaliada por um neurologista especializado em epilepsia, quanto mais cedo, melhor.

Esperar muitos anos de crises contínuas pode trazer prejuízos permanentes.

Resumo para famílias

A cirurgia ressectiva:

  • Não é para todos, mas é essencial conhecer.
  • É segura quando realizada em centros especializados.
  • Pode curar ou reduzir muito as crises.
  • Pode salvar vidas, principalmente em crianças.
  • Precisa de avaliação detalhada para garantir a segurança.

Se você, seu filho ou alguém próximo tem epilepsia difícil de controlar, converse com seu neurologista para fazer uma avaliação.

Informação salva vidas.